Você sabe que tem algo de errado quando você apenas está
dando scrow down no tumblr e chora sem motivo.
Estar triste não é problema. O problema é estar triste sem
ter um motivo aparente. Talvez, o motivo realmente exista, realmente tenha algo
que esteja me machucando ou me colocando pra baixo ou sei lá, mas o que eu sei
é que eu ainda não achei esse motivo. Por mais que eu fale de tudo que está
acontecendo comigo, eu não acho a razão.
Pra piorar, não rolam as lágrimas. Elas ficam entaladas nos
meus olhos, minha garganta fecha e nada sai. Absolutamente nada. Nem uma gota.
E aí, você se pergunta o que há de errado em tudo isso? Eu vejo tudo. Tudo
errado. Desde o começo sempre foi errado.
“Nossa, como você é linda!”
“Que sorriso maravilhoso”
“seus olhos...”
“seu cabelo...”
“seus dentes...”
“Tão simpática!”
Desde que eu me entendo por gente eu ouvi todos esses
elogios como se eu fosse a rainha do mundo, a princesa das precisas, quando na
real eu era só mais uma plebeia. Só mais uma nesse mundo de sete bilhões de
pessoas...
Me fizeram acreditar que eu era extraordinária, me fizeram
acreditar que eu tinha um poder mágico que poderia fazer todas as pessoas do
mundo se encantarem por mim. Me enganaram. E eu descobri essa mentira toda, do
jeito mais dolorido: com pessoas me chamando de gorda. Falando que meu cabelo
era ruim. Que eu era peituda. Que eu era filha da puta. Que eu era feia. Que eu
era chata e que ninguém gostava de mim. Que eu era a “Ana-Gorda”,
“Ana-Baleia”... E por aí foi.
E por aí foi toda a minha autoestima, tudo que o que restou
dela. Machucados nas pernas foram criados, feridas dentro de mim foram abertas,
perdi as contas de quantas feridas abri na parte interna da minha bochecha e
dos meus lábios. Perdi as contas de quantas peles arranquei de meus dedos,
quantos cabelos arranquei, quantas vezes me belisquei até me ferir. Já perdi as
contas de quantas vezes pesquisei na internet como me matar sem sentir dor,
quantas vezes já liguei o gás do forno e fiquei deitada ali, inalando aquela
coisa. Quantas facas, tesouras e giletes já encarei por horas a fio. Já não sei
mais quantas vezes quis me jogar na frente de um ônibus ou simplesmente me
jogar na praia e esperar a maré me levar. Já perdi todas essas contas.... E
continuo perdendo.
Veja bem, eu não entendo. Eu só não entendo como eu posso
ser capaz de viver num mundo dão cruel. Tão difícil de lidar e tão complicado.
Eu não compreendo qual o motivo de você se relacionar com algumas pessoas
quando na real, elas te machucam. Ou mentem. Ou omitem. Ou simplesmente o hobby
delas é te machucar.
Eu não sinto raiva de nenhuma das pessoas que me machucaram,
eu sei quem são. Todas elas. Eu lembro de cada rosto, de cada olho, de cada
sorriso. Eu sei quem são. Eu passo por elas na rua, na faculdade, no shopping,
nas boates, nos shows... Eu sonho com elas, eu tenho pesadelos com elas. Eu não
sou capaz de perdoar nenhuma delas. Eu posso até ser capaz de ter algum tipo de
aproximação, porém eu não tenho a capacidade de perdoar alguém que já errou
comigo. Que tem caráter duvidoso. Eu. Só. Não. Consigo.
Nada disso me faz ser uma pessoa boa. Pelo contrário, tudo
que eu já passei me transformou em um monstro. Um monstro que precisa marcar na
pele, com tatuagens, as coisas boas para tentar lembrar quem é. Eu também sem
quem são as pessoas que eu machuquei. Eu lembro de cada rosto, cada sorriso, de
cada palavra, de tudo... Eu sonho com elas e eu tenho pesadelos com elas. Só
que dessa vez, eu que não consigo me perdoar. Eu só não consigo me perdoar por
ser uma pessoa um tanto quanto amarga. Uma pessoa que, sem querer, no impulso,
machuca pessoas de graça, como uma vez fizeram comigo.
Como a vida é contraditória não é mesmo. E, o pior de tudo,
é que eu nunca fiz mal por fazer mal. Eu nunca fiz mal para me sentir bem ou
para mostrar que eu sou superior à alguém, muito pelo contrário. Foi tudo no
impulso, na minha ignorância, com as coisas que aconteciam no meu mundo e eu
descontei em pessoas. Só que nada disso importa.
Eu só queria paz. Paz para viver. Paz parar ser quem eu sou...
Eu só queria me lembrar que um dia eu fui alguém que valeu a pena para alguém
(e por enquanto, não tô valendo tanto), eu só queria... Queria ser livre. Sumir
e começar do zero em algum lugar que ninguém soubesse das minhas falhas e dos
meus acertos.
Começar de onde eu nunca pude. Sem nenhuma expectativa em
cima de mim, sem nada por trás de todas as palavras que são ditas para mim e
tudo o mais...
É só muito difícil.
É só muito complicado.
É só muito dolorido.
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